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REVOLUÇÃO AMBIENTAL, COMO DEVE SER.

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A revolução industrial significou para o mundo um marco, e também uma grande conquista, pois, a mecanização dos processos de produção proporcionou a distribuição agrícola e de bens de consumo para a população mundial. Em uma época em que a Teoria Malthusiana¹ era a realidade a ser encarada, a possibilidade de escalonamento da produção alimentar e o aumento da expectativa de vida é algo que devemos entender como um importante progresso, e por isso revolução. 
 
As primeiras indústrias contaram com uma oferta aparentemente infinita de “capital” natural, a natureza era vista como “mãe terra” (regeneradora, absorvia todas as coisas e continuaria a crescer), então as características do design industrial, dedicadas ao meio ambiente realmente não era uma preocupação. Muitos influenciadores, inclusive filósofos como Ralph Waldo Emerson e Rudyard Kipling evocavam partes selvagens do mundo que ainda existiam e, aparentemente sempre existiriam.

Segundo os autores Michael Braungart e William McDonough o lema da revolução industrial seria: “Se a força bruta não funciona você não a está usando suficientemente, a natureza deve ser dominada.” Assim, a força química bruta e da energia de combustíveis fósseis deveriam ser para solucionar.

O resultado desse desconhecimento em relação ao sistema natural da Terra, como consequências das atividades industriais, hoje, não é novidade para ninguém - contaminação dos recursos hídricos, desequilíbrio da biodiversidade, aquecimento global causado pela emissão de gases e extinção da cobertura vegetal. Uma atmosfera mais quente atrai mais água dos oceanos, resultando em tempestades maiores, mais úmidas e mais frequentes, aumento do nível do mar, alterações nas estações e uma cadeia de outros eventos climáticos, como os furacões cada vez mais intensos.

Não acredito que o cenário apresentado será resolvido com o descaso dos fatos ou mesmo com acusações e descrença em relação às intenções humanas. O que o mundo precisa pensar é em estratégia de mudança, soluções e redesign industrial de produtos e processos, uma nova revolução que nos permita evoluir, expandir, usufruir e não reduzir, sustentar, minimizar, limitar, e assim, mais uma vez, a humanidade superar teorias limitantes e catastróficas.

O ambientalismo que impera hoje no mundo é baseado em sentimento de culpa e acusações. A ecoeficiência hoje é a opção das indústrias para a mudança. E o que é ecoeficiência? Fazer mais por menos? O relatório Nosso futuro comum produzido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, em 1987, traz a conexão entre eficiência e sustentabilidade do meio ambiente. “Deve-se fomentar a ideia de que as indústrias e as operações industriais são mais eficientes em termos de usos dos recursos quando geram menos desperdícios, quando estão baseadas no uso de recursos renováveis em vez de não renováveis e quando minimizam os impactos adversos irreversíveis sobre a saúde humana e meio ambiente”, declarou a comissão em sua agenda de mudança.

Após 5 anos o termo “ecoeficiência” foi cunhado pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, um grupo de 48 patrocinadores industriais (na minha opinião, bem intencionados) que incluía as empresas Dow, DuPont, Conagra e Chevron, ao qual se tinha pedido uma perspectiva de negócios para a ECO-92. As previsões para a próxima década era de que seria quase impossível a competitividade das empresas sem que fossem ecoeficientes. O número de empresas que adotaram a ecoeficiência/sustentabilidade cresceu rapidamente, incluindo grandes nomes como a 3M, Monsanto e a Jhonson & Jhonson.

Voltando a analisar o modelo adotado, podemos concluir que a redução não irá evitar o esgotamento e a destruição, apenas diminuir o ritmo, a destruição agora passa a ocorrer em menor escala e durante um maior período de tempo. Exemplo: A redução da quantidade de toxinas perigosas e de emissões liberadas é fundamental, mas os estudos recentes mostram que até mesmo quantidades minúsculas de emissões perigosas podem ter efeitos desastrosos ao sistema biológico.

O químico alemão Michael Braungart, professor da Universidade Técnica de Munique em entrevista à revista Época comenta: “Os artigos que produzimos deveriam fazer bem ao meio ambiente, e retornar à biosfera na forma de nutrientes. Nós investimos muito dinheiro, ao longo dos anos, tentando ser menos danosos para o meio ambiente. Agora, precisamos investir dinheiro em ser realmente bons”, afirma. Segundo ele, não adianta cobrar que a indústrias e os consumidores protejam o meio-ambiente por motivos éticos. É preciso tornar essa ideia atraente – e lucrativa.

Se você entende sobre essa mesma óptica, a boa notícia é que paralelo às regulamentações e práticas falhas de sustentabilidade o mundo (ainda que timidamente) vem desenvolvendo essas soluções. O exemplo disso é a metodologia desenvolvida pelos cientistas Michael Braungart e William McDonough e apresentadas no livro Cradle to Cradle, o qual baseia-se esse artigo. Indústrias em todo o mundo e até governos (principalmente em estados dos EUA) vem adotando redesign proposto por essas ideias, consideradas como Ecoefetivas.  

Sou seguidora da Ecoefetividade, desenvolvo, além de apoiar projetos e pesquisas que seguem essa linha. Me proponho a continuar escrevendo e trazendo exemplos do Brasil e de outros países que revolucionará o modo de produção do planeta, respeitando o sistema biológico natural da Terra e dos seres humanos.

Conto com a sua colaboração comentando e compartilhando esse artigo. Até a próxima.    
 

¹ Teoria Malthusiana - Nessa teoria o crescimento populacional seria 28 vezes maior que o de alimentos disponíveis em um período de dois séculos, ou seja, não haveria alimento para suprir as necessidades de toda a população, gerando uma grande calamidade mundial, onde a humanidade morreria de inanição (estado de debilidade provocada pela falta de alimento), além da propagação de doenças, guerras por territórios para expansão de produção alimentícia, desestruturação da vida social e outros problemas.
 
AUTORA: Valdirene Dias - CEO da Empresa GEO REFERÊNCIA, Mestra em Modelagem em Ciências da Terra e Meio Ambiente (UEFS), Gestora de Ecorrelações, vidrada em soluções, gestão e sustentabilidade, focada em proteção dos recursos naturais, visando soluções empreendedoras e inovadoras. Coach Executive com certificado internacional emitido pela Sociedade Brasileira de Coaching.

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